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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O CISNE BRANCO


Já era tarde e não havia outra alternativa do que correr. Passadas largas, tão fortes que o pulmão quase não conseguia acompanhar. O fôlego só não era perdido porque a sua determinação o fazia forte e persistente.
Também não era de se reclamar, fazia muito tempo que ele esperava por esta oportunidade e ele não iria atirá-la pela janela. Ainda bem que ele navegava a favor do vento, no calor daquele dia as pequenas janelas daquele ônibus não emanavam frescura suficiente para fazer o seu coração palpitar mais tranqüilo. Ele mesmo não sabia se as batidas do seu coração eram resultados da apreensão ou do excesso físico causado pela impaciência e o temor de chegar naquele lugar tarde demais e o seu amor já não estivesse...
Isso não era verdade, pois ela estaria lá, ele tinha certeza, ela estaria sentada apreciando os arredores com um ar feminino, dócil e singelo que ele jamais havia visto em outras faces. Sua beleza o cegava a cada momento em que se viam. Era como se parte de seu corpo rejuvenescesse de uma forma tão forte que ele poderia desafiar milhões de dragões cuspindo enormes chamas pelas narinas, ele se esquivaria das garras afiadas e ferozes e do mortal golpe de suas caldas. Para ele isso eram histórias para dormir...
Às vezes ele mesmo se encontrava rindo sozinho, lembrando daquele sorriso maravilhoso que ela lhe havia dado, e ele, furtivamente colhia esta imagem em suas recordações.
O tempo passava lentamente enquanto ele buscava na sua imagem a ênfase da sua existência, a mais pura essência, a sua presença, que era o mais importante para ele.
Seguia e seguia ininterruptamente, desviando e burlando dos obstáculos a sua frente...
Será que ela estará lá lhe esperando?  Será que algum empecilho a faça perder o caminho, desacelerar a jornada ou mesmo perder o trem da partida?
Pare ele isso já não teria mais importância, ele havia embarcado nesta viagem e não teria mais volta... Seguiria até o fim, mesmo que a obra do pior dos destinos tirasse o porquê de existir, o privasse da beleza das cores e o fizesse para toda uma vida ver o preto e branco do fracasso e da perdição.
Raios e trovões assustavam aqueles que caminhavam pelas ruas daquela cidade, indicando a profecia dos deuses, causando eminente perigo a todos aqueles que lá estavam arriscando suas vidas pelos seus destinos, isso ele não podia controlar nem tampouco contornar.
Decidiu prosseguir, a luta pelo seu ideal era o mais valioso que ele tinha aparte das roupas velhas e desbotadas, seu maior troféu era a vontade, a perseverança e a determinação de tudo aquilo conseguir.
La estava ele a caminho do seu destino, uma nova oportunidade que ele não deixaria escapar, ao menos a sua determinação não o deixaria abandonar...
Chegando lá ele encontrou o seu amor...
Aquele sorriso ainda estava lá, imenso e maravilhoso, o convidando ao prazer e fazendo com que seu coração disparasse desenfreadamente à procura da alegria escondida em todos os cantos daquela sala imensa.
Seus poros exalavam um perfume que ninguém aparte dele saberia decifrar. Era a mais pura alegria fluindo no ar. Ele estava feliz de novo, ao seu lado o mundo lá fora não existia...
Mas tudo aquilo era irreal, a angustia que ele sentia ofuscava os seus pensamentos, a necessidade de tê-la era mais forte que a pura realidade.
Ele havia se transformado em um cisne negro, escuro nos seus pensamentos e sentimentos. Tinha tudo o que ele queria a seu lado e mesmo assim havia algo de errado.
Suas paranóias vieram de novo a lhe atormentar. Ele tinha tudo o que queria ao seu lado, mas lhe faltava a certeza de que aquilo era real.
Seu mundo fictício tomava novamente conta de sua alma, já não conseguia distinguir entre o irreal e o real. Sua cabeça dava voltas e voltas, suas mãos não conseguiam encontrar o carinho, o afeto que ele tanto procurava.
Seria este o fim? O encontro poderia ser a despedida naquela estação?
Tudo o que ele queria realmente era viver este sonho, fazê-lo virar realidade, mas esta realidade poderia ter sua vida precocemente terminada, extinguida para sempre.
Seus olhos quase diziam isso, suas trocas de olhares eram como puro espinhos, afiados e com a intenção e sem perdão em machucar. Seus silêncios eram provas de que aquilo não estava bem, havia uma grande conseqüência em todo aquele tempo que ficaram separados, palavras se dispersaram com o vento...
As ilusões foram perdidas naquela troca de estação, o beijo de despedida foi fogoso, mas a chama dos dois já estava extinta. Pena, pois este ultimo beijo completou um ciclo e que antes teria crescido com proporções fenomenais.
Segue chovendo e as janelas estão todas fechadas, sufocando a sua volta pra casa com maus ares ao seu redor.
Tudo o que ele queria ser naquele momento era ser como o cisne branco, que não teve medo de acabar coma a sua existência para não sofrer de amor. Lutou e lutou, descobriu nas suas horas de delírio o quanto o amor lhe fez forte e fraco também. Enfrentou de frente os seus piores defeitos, viu a luz no final do túnel, mas até ela não conseguiu chegar.
Seguiu por muitos caminhos, enfrentou tempestades, dragões e, também na sua lucidez lutou contra tudo que fosse contrário ao seu sonho. Sonho esse de tê-la a seu lado para toda uma vida.
Ele segue o seu caminho errante, e desengonçado seguirá errando até que a eternidade tome conta dele.

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